Agilidade no caso de Carolina Dieckmann mostra que a polícia tem recursos para combater crimes virtuais.
A rápida descoberta dos suspeitos de terem roubado fotos íntimas do computador da atriz Carolina Dieckmann mostra que a polícia está cada vez mais preparada para investigar os chamados crimes virtuais, que atingem oito em cada dez usuários de internet, segundo dados do Norton Cybercrime Report, estudo global produzido anualmente pela marca Norton, da Symantec.
No Brasil, o mesmo estudo revela que sete em cada dez usuários não têm proteção no computador, o que facilita a ação dos criminosos. São 28 milhões de brasileiros vítimas todos os dias desse tipo de crime.
Em São Paulo, de acordo com o delegado Hélio Bressan, titular da 4ª Delegacia de Meios Eletrônicos, a polícia recebe treinamento semanal de um consultor que atua também em grandes corporações dos Estados Unidos para identificar invasores de computadores, os chamados hackers. Na Polícia Civil de São Paulo, o consultor dá treinamentos semanais a uma equipe de 20 investigadores que apuram 1,2 mil inquéritos de crimes na internet. No mês que vem, a Academia da Polícia Civil realizará um curso de especialização em crimes cometidos por meio eletrônico.
Entre os inquéritos apurados, 80% dos casos se referem a crimes financeiros, segundo o delegado Bressan. “Os casos mais comuns são os de páginas falsas de bancos e financeiras, onde a vítima cai e transfere seus dados”, disse. Também são comuns as ocorrências envolvendo furto de senhas para saques de contas bancárias.
Para se ter uma ideia do cenário de crimes digitais, o custo direto, isto é, entre o que foi subtraído das vítimas e o valor para resolução dos crimes, extrapola R$ 25 bilhões no Brasil. Porém, ao se mensurar o custo total das ações ilícitas, o número ultrapassa R$ 104 bilhões.
Menos comuns, os casos como o da atriz Carolina Dieckmann também mobilizam os investigadores. Na última semana, uma advogada procurou a polícia paulista com um caso semelhante. Um homem foi preso acusado de chantageá-la.
Tanto no caso da atriz como no da advogada a polícia agiu da mesma forma. De acordo com a investigação dos policiais que atuaram no caso Carolina Dieckmann, hackers do interior de Minas Gerais e São Paulo invadiram o e-mail da atriz e pegaram as imagens. Segundo a apuração,o roubo teria começado com um e-mail usado como isca (spam), que ao ser aberto liberou uma porta para a instalação de um programa que permitiu aos hackers entrarem no computador da atriz.
“Evoluímos muito para se chegar aos criminosos virtuais”, disse o delegado Bressan.
“Agora já conseguimos chegar com facilidade ao IP da máquina do criminoso, que funciona na prática como uma identidade do computador que cometeu o crime”, disse o delegado.
O delegado informou que para a identificação do IP ainda é necessária autorização judicial, que tem demorado uma média de 10 dias para ser expedida. “Isso dificulta um pouco o nosso trabalho, mas estamos aperfeiçoando o sistema e as autorizações judiciais estão cada vez mais rápidas”, disse.
Fonte: http://diariosp.com.br/noticia/detalhe/21667/Policia+usa+programas+contra+espionagem+








